ediçao 13
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1609. O cientista Galileu Galilei explora os céus como nunca fora feito antes. Utilizando-se de um telescópio, construído por ele mesmo, estudou as constelações de Orion, Cancer e Touro, o aglomerado de estrelas das Pleiades, e a Via Lactea.
2009. Quatrocentos anos depois das primeiras descobertas astronômicas de Galileu Galilei, a Astronomia terá um ano dedicado a ela, com o principal evento acontecendo no Brasil: a Assembléia Geral da Uniao Astronômica Internacional, que acontece no Rio de Janeiro, na primeira quinzena de agosto.
Considerada uma das ciencias mais antigas, a Astronomia deu origem a campos inteiros da Física e da Matemática. "Teve papel fundamental na organizaçao do tempo e do espaço explorados pela humanidade. Forneceu as ferramentas conceituais para a astronáutica, para a análise espectral da luz, para a fusao nuclear, para a procura de partículas elementares. (...) Ela teve e tem profundo impacto no conhecimento e é uma das mais refinadas expressoes do intelecto humano", bem descreve o site oficial do Ano Internacional da Astronomia 2009.
O evento, portanto, celebra os quatro séculos desde as primeiras observaçoes telescópicas. Uma celebraçao global em nome da Astronomia e de todas as suas contribuiçoes para a evoluçao da sabedoria do homem. "A humanidade obteve muita inspiraçao e conhecimento observando o céu (com ou sem telescópios) e a ONU declarou que 2009 é um ano para reconhecer e comemorar este fato", diz Augusto Damineli, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciencias Atmosféricas da Universidade de Sao Paulo (USP) e coordenador das comemoraçoes, no Brasil.
Desta forma, 136 países ao redor do mundo se uniram e formaram a Rede IYA2009 (Internacional Year of Astronomy), uma estrutura global montada para organizar as atividades do Ano Internacional.
No Brasil, a organizaçao já conta com quase 200 núcleos, que produzirao eventos de observaçao do céu, shows de planetários, conferencias etc. O governo federal também vai financiar atividades de divulgaçao e ensino de Astronomia. "Os investimentos federais chegam a cerca de 6 milhoes de reais. Só um dos programas preve a distribuiçao de 50 mil lunetas galileanas a escolas públicas que participam da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica", conta Damineli.
As principais metas da celebraçao do Ano Internacional sao difundir na sociedade uma mentalidade científica, popularizar o acesso a novos conhecimentos e experiencias observacionais, promover comunidades astronômicas em países em desenvolvimento, melhorar o ensino formal e informal da ciencia, fornecer uma imagem moderna da ciencia e do cientista e possibilitar a inclusao social, através da ciencia.
Para que tudo isso seja possível, uma extensa programaçao foi elaborada e estará acontecendo, simultaneamente, durante todo o ano, nos quatros cantos do Brasil e do mundo. "Será dada forte enfase r educaçao, ao envolvimento do público e ao engajamento dos jovens na ciencia, através de atividades locais, nacionais e globais", enfatiza o coordenador nacional.
Além do caráter educacional e da excelente oportunidade para os jovens se aproximarem da ciencia, segundo Jane Gregorio-Hetem, professora do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP, para a comunidade astronômica brasileira, o Ano Internacional da Astronomia será emblemático, considerando que se realizará, pela primeira vez no Brasil, o evento científico internacional mais importante da Astronomia. "Esse nao é um fato apenas comemorativo, mas tem implicaçoes diretas na estratégia que a comunidade astronômica nacional tem adotado e que elevou nossa produçao científica e nossa atuaçao em projetos instrumentais para níveis competitivos no âmbito internacional. Assim, a escolha do Brasil para sediar a reuniao da Uniao Astronômica Internacional se deve ao destaque que alcançamos, abrindo uma nova era para a astronomia brasileira", afirma a professora.
O nosso lugar no universo
De acordo com Damineli, o objetivo principal das comemoraçoes do Ano Internacional da Astronomia "é que as pessoas re-encontrem seu lugar no Universo".
Agora, em 2009, "as pessoas terao chance de perceber que fazem parte de um mundo muito mais amplo do que o que parece no dia-a-dia. Grande parte das pessoas imagina que estamos confinados aqui embaixo na Terra e que o céu fica lá em cima, numa realidade mais perfeita e duradoura. Esse quadro mental ficou anacrônico há 500 anos e precisa ser atualizado. Temos uma grande intimidade com os astros e as pessoas precisam descobrir as formas em que isso ocorre", finaliza o professor.
