colunistas
  • fonte pequena
  • fonte pequena
  • fonte pequena

Bons ventos para a Tecnologia Social?

No mês de abril, o tema da tecnologia social (TS) passou por alguns momentos importantes de discussão, planejamento e proposição de ações envolvendo os diversos grupos sociais interessados na TS no Brasil e articulados através da Rede de Tecnologia Social (RTS).

Nos dias 13 e 15, aconteceram simultaneamente em Brasília o Segundo Fórum Nacional da Rede de Tecnologia Social e a Segunda Conferência Internacional de Tecnologia Social. Além dos dois eventos, também aconteceu o lançamento do livro "Tecnologia Social: Ferramenta para Construir outra Sociedade", composto por uma coletânea de artigos sobre o tema escrito por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A TS vem sendo discutida no Brasil desde 2004 por diferentes atores sociais, como integrantes do Governo, de organizações da sociedade civil e da universidade. Em comum, esses grupos possuem a percepção de que a busca de soluções para a exclusão social passa pelo desenvolvimento e difusão de tecnologias alternativas. Dessa raiz comum se abrem diferentes enfoques tecnológicos sobre a exclusão/inclusão social. São propostas que envolvem desde a difusão de soluções que melhorem a vida das camadas marginalizadas; até a participação dessas camadas no desenvolvimento das tecnologias; até a proposta de uma abordagem não-capitalista da tecnologia e da TS como um instrumento de superação do próprio modo de produção capitalista.

Alguns estudiosos da TS e do movimento pela sua difusão, em particular a RTS, têm se preocupado em refletir sobre a relação entre tecnologia e inclusão. Para isso, desenvolvem uma visão crítica sobre o papel da tecnologia na sociedade capitalista, estabelecendo os elos históricos entre a TS e tentativas semelhantes do passado. Por exemplo, entre a TS e o movimento da tecnologia apropriada (TA) que surgiu na década de 70 ou entre a TS e as ações de resistência às tecnologias britânicas e valorização das tecnologias tradicionais lideradas por Gandhi na Índia. Os que se interessam por essa análise poderão encontrar aprofundamentos interessantes no livro já citado.

Outro acontecimento importante para os interessados na TS e recém divulgado (23/3) foi a chamada pública da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) com o objetivo de selecionar propostas voltadas a tecnologias para o desenvolvimento social. Estão previstos recursos de R$ 34,6 milhões, não reembolsáveis, provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Os projetos devem estar inseridos em duas linhas temáticas: o desenvolvimento de tecnologia social em contextos produtivos de empreendimentos econômicos solidários em áreas urbanas e rurais e a implantação de centros de inclusão digital em áreas rurais.

Apesar do banho de água fria que o Plano de Ações 2007/2010 do Ministério da Ciência e Tecnologia representou nas expectativas de apoio do Governo Federal à TS (apenas 2% dos recursos nele previstos se orientam para a "C&T para o Desenvolvimento Social"), parece que ainda existe chama acesa. Alimentada por uma esperança ativa daqueles que acreditam num desenvolvimento científico e tecnológico que contribua para um modelo de desenvolvimento substancialmente mais equânime que o atual.

  • Foto de Adílson de Oliveira
  • Márcia Tait
    São Carlos, SP, Brazil
  • Possui graduação em Jornalismo pela Unesp (2002) e especialização em Jornalismo Científico pelo Labjor-Unicamp. Atualmente é pesquisadora do Gapi-Unicamp e Labi-UFSCar. Também é pesquisadora associada do Labjor-Unicamp. Atuou na UFSCar como professora substituta e assessora de comunicação. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo Científico.
colunas Márcia Tait