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Andando com monstros

 

  • Produção da BBC

Por Letícia Souza


O documentário "Walking with Monsters" faz parte de uma série exibida pela BBC pela primeira vez em 2005. Os outros documentários dessa série são "Walking with Beasts" e "Walking with Dinossaurs". "Walking with Monsters" mostra a vida e a evolução de animais que viveram antes dos dinossauros, há 550 milhões de anos.

 

Dividido em três partes, cada uma de determinado período, o documentário começa retratando a vida onde ela começou: nos oceanos. Depois, passa a mostrar algumas espécies que eram mais adaptadas saindo da água e começando a dominar a terra. É eleito um animal, o Haikouichthys, (já que ele é o ancestral de todos os animais com espinha dorsal), e acompanhamos a evolução dele até o primeiro dinossauro, passando por anfíbios, répteis, lagartos herbívoros e outros carnívoros, todos com a mesma origem comum.

 

É muito interessante observar de quantos estudos paleontológicos o "Walking with Monsters" se utilizou. Os animais são todos feitos por computação gráfica e só foi possível saber como eram seus corpos ou como eles se locomoviam graças às marcas e fósseis deixados por eles. Sem esse material seria impossível ter reconstruído graficamente o corpo desses animais. Além disso, o filme mostra como era a superfície da Terra, o solo, a atmosfera e as plantas dos períodos apresentados. Muito diferentes das vegetações que temos hoje, essa representação também só foi possível graças aos estudos de Paleobotânica – ciência que estuda evidências de vegetais pré-históricos.

 

Como em muitos documentários que tratam de animais, "Walking with Monsters" tende a humanizar os animais que retrata, especialmente quando são mostrados filhotes com sua progenitora. Cada ser apresentado protagoniza uma história ou episódio, em que busca comida, abrigo, escapar de um predador, proteger seus filhotes. Somos, como espectadores, quase sempre levados pelo narrador a torcer pelo animal que será a presa. Já o predador é apresentado como "vilão".

 

O documentário, ao apresentar os animais, explica quais de seus órgãos são parecidos com os nossos hoje e explicita que somos todos descendentes dos "monstros" que vemos na tela. Isto causa uma impressão muito curiosa ao espectador, quando este, por exemplo, dá-se conta que descende de um peixe minúsculo que tinha um protótipo de coluna vertebral. A música tem um papel muito importante no filme. Ela se destaca e sempre se relaciona com o episódio mostrado. É forte e violenta em cenas de um predador capturando alguma presa, mais lenta e leve quando são mostradas mudanças climáticas que afetam a vida dos animais e mais alegre e rápida quando é exibida uma vista mais geral dos animais que habitavam o Planeta do período.

 

A questão de "walking" (andando, em Inglês) é levada muito a sério. Em vários momentos os animais "quebram" a lente da câmera, ou "jogam" areia ou comida nela, sujando-a. Utilizando-se dessas ferramentas, o documentário busca mostrar como se a câmera estivesse realmente andando com monstros, vendo e registrando aquelas cenas no momento em que ocorreram. Essa linguagem diferenciada e interessante, agrega mais confiabilidade ao que é mostrado, pois, "teoricamente", o cinegrafista estava lá e registrou aquilo, ou seja, foi daquele modo que as histórias ocorreram.

 

"Walking with Monsters" é um documentário muito interessante, bem construído e com imagens muito bem cuidadas. Apoiado sobre a Paleontologia, traz grandes informações ao espectador leigo, mostrando que a pré-história tinha uma variedade de animais que vão muito além dos dinossauros.Fim da reportagem

 

Letícia Souza é estudante do curso de Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos e colaboradora do LabI - Laboratório Aberto de Interatividade para a Disseminação do Conhecimento Científico e Tecnológico da UFSCar