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Astronomia - uma disciplina fascinante

O Homem, desde alvorecer da consciência, olha para o céu e tenta compreendê-lo. O brilho das estrelas representa, para muitos, vida e eternidade. Ao observá-las dia após dia, temos a sensação que elas nunca mudam. É como se estivem lá para nos dizer alguma coisa. Entretanto, entre as milhares de estrelas pode-se observar durante uma noite, alguns pontos brilhantes, que ao longo do ano descrevem trajetórias complicadas. O palco para esse movimento são as constelações, figuras que imaginamos estarem representadas pelas estrelas. Ao longo de um ano podemos ver cinco destes pontos errantes luminosos. Podemos observar Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Urano e Netuno somente podemos observar por meio de telescópios. E claro, o nosso planeta Terra, completa o nosso sistema solar com oitos planetas.


Esse espetáculo noturno, infelizmente, tem se tornando cada vez mais raro nas cidades devido a poluição luminosa e atmosférica. Contudo, com o auxílio dos grandes telescópios e a disponibilidade de imagens na internet, podemos descobrir muito mais que os nossos olhos podem ver.


Há 400 anos Galileu Galilei (1564-1642) recebeu a notícia que um fabricante de lente holandês Hans Lippershey (1570-1619) havia desenvolvido um instrumento que permitia fazer que objetos distantes parecessem mais próximos. Galileu desenvolveu o seu próprio telescópio que aumentava nove vezes e depois outro que aumentava cerca de 30 vezes. Ao apontar para o firmamento esses equipamento, o céu nunca mais foi o mesmo. Ele descobriu um novo universo, mostrando que haviam montanhas na Lua, que o Sol possuía manchas (que são decorrentes a intensos campos magnéticos na superfície do Sol), que Vênus apresentava fases como a Lua (que somente era explicado se Vênus estivesse girando em torno do Sol, fato que não era aceito na época) e que ao redor de Júpiter haviam 4 satélites (sabemos hoje que Júpiter tem 63 satélites).


Com os avanços no desenvolvimento dos telescópios podemos observar objetos no universo que estão muito distantes no espaço, mas também no tempo. As distâncias são imensas que para medi-las os astrônomos utilizam como unidade de distância o ano-luz, que é a distância que um raio de luz percorre ao longo de um ano. Como a velocidade da luz é sempre a mesma (300.000 km/s) em um ano ela percorre 10 trilhões de km. Dessa maneira, quando observamos a galáxia de Andrômeda, uma galáxia vizinha a nossa, que está há cerca de 2 milhões de anos-luz a vemos como era há 2 milhões de anos. Olhar para o céu é olhar para o passado.

Figura – A galáxia de Andrômeda – o objeto mais distante que pode-se observar a olho nu. A imagem foi obtida por telescópio amador.

Mas, a astronomia não é apenas àquela das imagens espetaculares de planetas, nebulosas, galáxias etc. Ela também pode ser trabalhada no cotidiano. O nascer e o pôr do Sol influenciam diretamente o ritmo de vida. Na maioria das vezes realizamos nossas atividades durante o período de claridade e reservamos o descanso para os períodos de escuridão. Esses ciclos são utilizados para marcar o tempo desde a antiguidade.


A alternância entre o dia e a noite ocorre devido à rotação da Terra ao redor de um eixo inclinado aproximadamente 23 graus em relação a uma linha perpendicular ao plano de sua órbita em torno do Sol Uma rotação completa de nosso planeta leva 23h56m04s.


Além do movimento de rotação a Terra executa uma translação ao redor do Sol, gastando aproximadamente 365 dias e 6 horas para completar cada translação. Como esse período não é um múltiplo inteiro de dias, a cada quatro anos incluímos um dia a mais no mês de fevereiro, e temos um ano de 366 dias (ano bissexto, por ter dois “6”). O dia de 24 horas que utilizamos é o chamado “dia solar médio”, que é o tempo gasto para o Sol aparecer na mesma posição do céu. Ao longo do ano, ele chega a variar até 15 minutos, para mais ou para menos. Essa variação não muda a passagem do tempo.


Como a rotação e translação são simultâneas, para o Sol voltar ao mesmo ponto do céu, ele gasta um tempo extra além do da rotação. Em um dia a Terra se desloca cerca de 2.600.000 km ao redor do Sol, 0,986º em relação às estrelas que estão distantes.


Figura. Movimento de translação da Terra ao redor do Sol mostrando que durante o período de um dia solar a Terra se desloca 0,986º, fazendo que o dia solar médio seja diferente do dia sideral. (a ilustração não está em escala)

O movimento mensal da Lua também é algo muito interessante de se acompanhar. Esse movimento dura em média 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 2,9 segundos; entretanto este intervalo de tempo não é constante, variando entre 29 dias e 4 h e 29 dias e 22 h aproximadamente.

Dessa maneira, podemos conhecer a astronomia desde da observação feita pelos grandes telescópios ou simplesmente olhando em nossa volta. O importante é que o céu, que está disponível para todos nós e com um pouco conhecimento e criatividade podemos aprender muito sobre essa fascinante ciência.

 

  • Foto de Adílson de Oliveira
  • Adilson J A de Oliveira
    São Carlos, SP, Brazil
  • Doutor em Ciências e Professor Associado do Departamento de Física da UFSCar - membro do Grupo de Supercondutividade e Magnetismo e do Núcleo de Excelência de Materiais Nanoestruturados Fabricados Eletroquimicamente, Coordenador do Laboratório Aberto de Interatividade Editor da Revista Digital de Divulgação Científica Click Ciência

    e-mail: adilson@df.ufscar.br